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LGPD em 2026: O Que Mudou e o Que a ANPD Está Fiscalizando Agora

Dra. Camila Ferreira

Dra. Camila Ferreira

Advogada | DPO Certificada

28 de abril de 2026
5 min de leitura
LGPD em 2026: O Que Mudou e o Que a ANPD Está Fiscalizando Agora

Índice do artigo

O que mudou regulatoriamente em 2025-2026Regulamento de Comunicação de Incidentes (2025)Regulamento de Avaliação de Impacto à Proteção de Dados (RIPD)Revisão dos critérios para agentes de pequeno portePrioridades de fiscalização da ANPD em 2026Por que o setor de estética está na miraO que os fiscais verificam primeiroO que fazer agora: as prioridades de 2026Se você ainda não tem política de privacidadeSe você não tem registro de consentimentosSe você ainda compartilha dados por WhatsAppSe você nunca respondeu uma solicitação de titularA boa notícia: compliance básico é acessível

A LGPD completou seis anos de vigência em 2026. E se nos primeiros anos a ANPD ainda estava estruturando sua capacidade de fiscalização, o cenário de 2026 é completamente diferente: processos administrativos em andamento, sanções aplicadas em série e o setor de saúde e estética como alvo declarado de fiscalização prioritária.

Se você ainda está em modo "vou me adequar quando tiver tempo", o tempo acabou.

O que mudou regulatoriamente em 2025-2026

Regulamento de Comunicação de Incidentes (2025)

A ANPD publicou regulamentação específica sobre comunicação de incidentes de segurança, estabelecendo:

  • Prazo de 72 horas para notificação de incidentes que representem risco relevante aos titulares
  • Formulário padronizado de comunicação no portal gov.br
  • Obrigação de notificar os titulares afetados em linguagem clara e acessível
  • Critérios objetivos para determinar quando um incidente precisa ser notificado

Para clínicas de estética, isso significa: celular roubado com dados de pacientes, sistema invadido, ficha de anamnese enviada para pessoa errada — tudo precisa ser avaliado e possivelmente notificado em 72 horas.

Regulamento de Avaliação de Impacto à Proteção de Dados (RIPD)

O relatório de impacto (RIPD) — exigido quando há tratamento de dados sensíveis em larga escala — teve seus critérios de obrigatoriedade detalhados. Para clínicas que tratam dados de saúde de centenas de pacientes, o RIPD pode ser obrigatório.

Revisão dos critérios para agentes de pequeno porte

A ANPD revisou e reafirmou as regras diferenciadas para pequenos agentes, mas com um alerta: a simplificação não elimina as obrigações de segurança, transparência e resposta a titulares. Só simplifica a documentação.

Prioridades de fiscalização da ANPD em 2026

A ANPD divulgou publicamente suas prioridades de fiscalização. O setor de saúde e bem-estar — que inclui clínicas de estética — está entre os três setores prioritários.

Por que o setor de estética está na mira

  1. Volume de dados sensíveis: clínicas de estética tratam dados de saúde sistematicamente — fichas de anamnese, histórico de procedimentos, fotos que revelam condições corporais
  2. Baixo grau de conformidade histórico: o setor não tem tradição de compliance em proteção de dados, o que significa que fiscalizações tendem a encontrar infrações facilmente
  3. Uso desregrado de redes sociais: fotos de antes e depois sem consentimento documentado continuam sendo prática comum
  4. WhatsApp como canal de dados clínicos: compartilhamento de fichas e fotos via aplicativo sem segurança adequada

O que os fiscais verificam primeiro

Com base nos processos já concluídos pela ANPD, é possível identificar o roteiro típico de uma fiscalização:

  1. Existência de política de privacidade pública e atualizada
  2. Canal de comunicação para solicitações de titulares
  3. Registro de consentimentos — especialmente para dados sensíveis e para uso de imagens
  4. Controle de acesso aos dados (quem vê o quê)
  5. Medidas de segurança implementadas nos sistemas

Se você falha nos itens 1 e 2, os fiscais nem precisam ir mais fundo para autuá-la.

O que fazer agora: as prioridades de 2026

Se você ainda não tem política de privacidade

Essa é a prioridade número 1. Publique no site e disponibilize na recepção. Um documento genérico copiado da internet é melhor do que nada, mas um documento que reflita sua realidade operacional é o que realmente protege.

Se você não tem registro de consentimentos

Implante agora um processo de obtenção e registro de consentimento — especialmente para:

  • Uso de fotos de antes e depois em marketing
  • Coleta de dados de saúde na anamnese
  • Comunicações de marketing por WhatsApp

Se você ainda compartilha dados por WhatsApp

Crie uma política interna por escrito e treine a equipe. O WhatsApp não vai desaparecer da operação, mas algumas práticas específicas precisam mudar.

Se você nunca respondeu uma solicitação de titular

Crie um e-mail dedicado para privacidade e defina um processo interno para respondê-lo em até 15 dias. Documente todas as solicitações e respostas.

A boa notícia: compliance básico é acessível

A ANPD diferencia claramente entre:

  • Clínicas que nunca consideraram o tema (penalidade mais severa)
  • Clínicas com compliance imperfeito mas demonstrável (penalidade atenuada)

Ter documentação, mesmo imperfeita, ter treinado a equipe, mesmo que brevemente, ter respondido solicitações, mesmo com atraso — tudo isso conta. O esforço demonstrado de boa-fé é reconhecido.


2026 não é mais o tempo de "começar a pensar em LGPD". É o tempo de demonstrar que você já está cumprindo. O Assenti gera automaticamente sua política de privacidade, registra consentimentos e mantém seu histórico de compliance documentado. Diagnóstico gratuito em 5 minutos.


Este artigo tem caráter informativo e não substitui assessoria jurídica especializada.

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Dra. Camila Ferreira

Dra. Camila Ferreira

Advogada | DPO Certificada

Advogada especialista em Direito Digital e Proteção de Dados, com LLM pela Universidade de São Paulo. Certificada como DPO pela EXIN e IAPP. Assessorou mais de 60 clínicas de estética e saúde na jornada de adequação à LGPD, sendo referência nacional na aplicação da lei para o setor.

OAB/SPDPO EXIN CertifiedLLM – USP

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